Encontro na Assembleia Legislativa discutiu financiamento, vazios assistenciais e estratégias para garantir atendimento digno à população indígena e não indígena no estado / Foto: Nonato Souza /
A Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR) realizou, nesta terça-feira (7), uma audiência pública para discutir os desafios e as estratégias de fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado. Com o tema “Soberania sob Pressão em Roraima: o SUS como escudo nas fronteiras, resgate da dignidade das pessoas e o fim dos vazios assistenciais”, o encontro reuniu autoridades e especialistas da área.
O debate atendeu a requerimento do deputado Dr. Cláudio Cirurgião (Republicanos), presidente da Comissão de Saúde da Casa Legislativa, que também assinou uma carta de compromisso com propostas voltadas ao fortalecimento da saúde pública e à proteção da vida no estado.
“Nós construímos um pacto, uma carta que será enviada ao Ministério da Saúde, mostrando os diversos desafios de Roraima, que precisa ser tratado de maneira diferente dos demais estados, justamente pelas questões loco-regionais e migratórias”, afirmou.
A audiência reuniu autoridades, profissionais da saúde e representantes da sociedade civil para analisar a realidade do SUS em Roraima, especialmente diante do aumento da demanda nas regiões de fronteira e no atendimento às populações indígenas.
A presidente do Conselho Estadual de Saúde de Roraima, Diana Patrícia Correia de Alencar, conduziu os trabalhos e destacou as dificuldades de acesso à saúde em municípios do interior, especialmente em áreas remotas como Uiramutã.
Segundo ela, os desafios se intensificam durante o período chuvoso, quando estradas ficam intrafegáveis, impedindo a chegada de ambulâncias e o deslocamento dos moradores até as unidades de saúde.
“Como aquele morador vai ter acesso à saúde? Hoje, a audiência debateu os vazios assistenciais e a soberania da saúde. E o que é soberania? É garantir condições de atendimento para toda a população roraimense”, ressaltou.
Entre os principais pontos discutidos estiveram o fortalecimento dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas, o impacto do fluxo migratório sobre a rede pública e os chamados vazios assistenciais no interior. Também foram apresentadas propostas como a ampliação da telemedicina, a melhoria do transporte aeromédico e a necessidade de financiamento diferenciado para regiões de fronteira.
Durante a audiência, a superintendente do Ministério da Saúde, Andréa Maia, apresentou dados sobre os serviços executados em Roraima, com destaque para o município de Pacaraima, que faz fronteira com a Venezuela e recebe grande fluxo migratório. Segundo ela, embora o município tenha cerca de 13 mil habitantes, já foram emitidos 203 mil cartões do SUS, evidenciando a pressão sobre o sistema de saúde local.
“Em um ano, o município emitiu cartões do SUS em número muito superior à sua população. É um dado que impressiona e revela a dimensão do desafio”, pontuou.
Roraima também faz fronteira com a Guiana, o que impacta diretamente o município de Bonfim. O secretário adjunto de Saúde, Pedro Moreira Gomes, destacou que muitos moradores de Lethem procuram atendimento nas unidades básicas de saúde, aumentando a demanda e pressionando o orçamento municipal.
“Hoje enfrentamos essa dificuldade, pois o recurso fundo a fundo é insuficiente. Precisamos de um olhar diferenciado para conseguir atender todos que buscam o SUS”, afirmou.
Além do atendimento à população, a audiência também abordou as condições de trabalho dos profissionais da saúde. Entre os participantes, o enfermeiro Khylvio Alves, representante do Sindicato Nacional dos Trabalhadores e das Trabalhadoras da Saúde Indígena (SindCopsi), relatou os desafios enfrentados pelas equipes que atuam nas comunidades indígenas.
Ele destacou problemas como escalas exaustivas, estruturas precárias, muitas sem banheiros e em condições inadequadas e o isolamento dos profissionais, que frequentemente permanecem longos períodos longe da família e sem comunicação.
Segundo ele, essa realidade tem provocado adoecimento entre os trabalhadores, que, em muitos casos, não têm como pedir ajuda em situações de urgência.
“O profissional manda mensagem dizendo ‘hoje está tenso aqui, está difícil’. Essa é a realidade. É um pedido de socorro para que a política de saúde indígena seja discutida de forma efetiva nos níveis estadual, federal e municipal”, relatou.
O evento integrou a mobilização nacional em alusão ao Dia Mundial da Saúde e serviu como preparação para a 18ª Conferência Nacional de Saúde, que ocorrerá em Brasília, em julho deste ano.
A audiência foi transmitida ao vivo pela TV Assembleia e pelas redes sociais do Legislativo. O conteúdo permanece disponível no YouTube.
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MONICA GIZELE

