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Exército ataca cadeia logística do garimpo e inutiliza pistas clandestinas na Terra Indígena Yanomami

A operação foi realizada entre 15 e 17 de setembro, mas só foi divulgada nesta terça-feira (22), no contexto da Operação Catrimani II / Foto Divulgação Exército /

Exército ataca cadeia logística do garimpo e inutiliza pistas clandestinas na Terra Indígena Yanomami

Em áreas remotas da Amazônia, uma pista clandestina pode valer tanto quanto uma máquina de garimpo. É por ela que entram combustível, equipamentos e trabalhadores — e por onde o minério pode sair. Ao inutilizar duas pistas na Terra Indígena Yanomami, o Exército atacou justamente essa cadeia logística, ampliando a pressão sobre uma atividade que depende de abastecimento constante para continuar operando.

Entre 15 e 17 de setembro, o 18º Regimento de Cavalaria Mecanizado, em ação integrada com o 6º Batalhão de Engenharia de Construção, realizou operações na Terra Indígena Yanomami no contexto da Operação Catrimani II. A missão teve como foco a inutilização de duas pistas de pouso, além de materiais e estruturas empregados na extração ilegal de minério. A operação foi divulgada nesta terça-feira (22).

A destruição de pistas tem valor estratégico porque o garimpo ilegal em áreas de difícil acesso depende fortemente de uma rede logística aérea. Combustível, alimentos, peças, equipamentos, trabalhadores e outros suprimentos precisam chegar às frentes de extração; o minério e os operadores também precisam de rotas para sair da região. Quando esse fluxo é interrompido, a atividade perde mobilidade, previsibilidade e capacidade de recomposição.

A Polícia Federal já documentou situações em que aeronaves ligadas a áreas de garimpo operavam em aeródromos clandestinos na região. Em agosto de 2026, a corporação informou ter localizado uma aeronave em pista clandestina após monitoramento na Terra Yanomami, com vestígios de cassiterita e indícios de movimentações financeiras suspeitas, reforçando a importância dessas estruturas no suporte às atividades ilegais.

Por isso, a estratégia federal passou a tratar pistas, aeronaves, postos de combustível, embarcações, motores e acampamentos como alvos da mesma cadeia. O objetivo declarado é estrangular a infraestrutura que permite ao garimpo continuar operando ou retornar a áreas já fiscalizadas.

A ação de setembro se insere em uma campanha mais ampla. Balanços oficiais divulgados em 2026 indicam que, desde março de 2024, dezenas de pistas clandestinas foram inutilizadas na Terra Indígena Yanomami, além de aeronaves, acampamentos e outros meios de apoio logístico.

Em janeiro de 2026, o Governo Federal informou que 77 pistas clandestinas, 45 aeronaves e 762 acampamentos já haviam sido inutilizados desde o início da nova fase das operações. O mesmo balanço registrava apreensões de ouro e mercúrio em operações integradas, mostrando que o combate ao garimpo passou a atingir não apenas a extração, mas também sua estrutura financeira e logística.

Em março, outro relatório oficial apontava que a Catrimani II já havia alcançado 80 pistas de uso irregular destruídas em quase dois anos de operação. Em algumas missões, equipes de engenharia foram transportadas por helicópteros até áreas remotas para realizar detonações controladas e impedir o uso posterior das faixas de pouso.

Esse tipo de ação procura elevar o custo de recomposição do garimpo. Uma pista destruída precisa ser reaberta ou substituída; máquinas e motores inutilizados precisam ser repostos; combustível e mantimentos precisam encontrar novas rotas. Quanto mais elos são rompidos ao mesmo tempo, menor é a capacidade de retorno rápido dos grupos envolvidos.

A participação do 6º BEC é especialmente importante nesse contexto. A Engenharia Militar possui capacidade técnica para atuar em terrenos remotos, operar explosivos, modificar vias e inutilizar estruturas com maior grau de eficiência. Quando combinada à mobilidade de unidades terrestres e ao apoio aéreo, essa capacidade amplia o alcance das operações em regiões de difícil acesso.

Pressão logística busca proteger território e comunidades Yanomami

O combate ao garimpo ilegal na Terra Yanomami não envolve apenas proteção mineral ou repressão econômica. A atividade está associada à degradação de rios, uso de mercúrio, pressão sobre áreas de caça e pesca, circulação de pessoas não autorizadas e riscos de violência e contaminação para comunidades indígenas.

Por isso, a redução da presença garimpeira tem efeito direto sobre segurança territorial e condições de acesso para equipes de saúde, agentes públicos e comunidades locais. Balanços do Governo Federal divulgados em 2026 associam a intensificação das operações à queda significativa da abertura de novas áreas de garimpo, embora a atividade ilegal ainda persista em focos específicos.

Em junho de 2026, dados do Censipam divulgados pela Funai apontaram redução de 99% no surgimento de novas áreas de garimpo desde março de 2024. O indicador mostra efeito importante da pressão operacional, mas não significa eliminação completa da atividade. Monitoramentos independentes ainda identificam núcleos resilientes e recomendam manutenção contínua da vigilância.

É justamente nesse ponto que a destruição de pistas ganha importância adicional. Uma operação pontual pode afastar temporariamente os infratores; a combinação entre inutilização de infraestrutura, monitoramento, fiscalização e presença permanente reduz a chance de reocupação e aumenta o tempo necessário para reconstruir a cadeia de apoio.

A lógica operacional é, portanto, atacar o garimpo onde ele é mais vulnerável: sua dependência de abastecimento. Em uma região extensa, isolada e de acesso difícil, quem controla as rotas de entrada e saída controla grande parte da capacidade de permanência da atividade ilegal.

A missão conduzida pelo 18º RC Mec e pelo 6º BEC reforça essa estratégia. Ao retirar de operação duas pistas e outras estruturas de apoio, o Exército não atingiu apenas dois pontos físicos no mapa, mas parte da rede que mantém o garimpo funcionando. A continuidade dessas ações será decisiva para impedir que as estruturas sejam reconstruídas e para consolidar a redução da atividade ilegal na Terra Indígena Yanomami.

FONTE: DEFESA EM FOCO

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