"Arthur, você tá de brincadeira", diz Soldado Sampaio ao responder adversário sobre abandono da educação
Arthur Henrique foi obrigado pela Justiça Eleitoral a retirar do ar imagens de crianças indígenas gravadas enquanto fazia discurso político dentro da sala de aula de uma escola pública em Uiramutã / Foto: Divulgação /
A resposta não poderia ter sido mais direta. Soldado Sampaio (Republianos), candidato a governador de Roraima nestas eleições, veio a público para respoder seu adversário, Arthur Henrique (PL), que, ao ser obrigado pela Jutiça Eleitoral a retirar do ar as imagens de crianças indígenas e do uso de uma escola pública na zona rural de Uiramutã para fazer discurso político (crime eleitoral, conforme o art. 73 da Lei das Eleições), tentou virar o jogo, acusando o Governo do Estado de abandono da educação.
"Se aquilo é uma escola, como diz a decisão, então fica a pergunta: por que essa escola não tem parede, o chão é de terra batida, e a professora varre a sala, ajuda na merenda e ainda compra o papel do próprio bolso?", quationou o candidato do PL em seu programa político de sexta-feira (28).
Nas suas redes sociais, na noite de sexta-feira (28), o governador Soldado Sampaio respondeu à provocação. "Arthur, você tá de brincadeira, né? Essa pergunta deveria ser feita ao seu apoiador, o Denarium, que inclusive estava ao seu lado no seu vídeo. Porque durante 7 anos e meio, ele não construiu sequer uma escola e abandonou completamente as escolas indígenas", retrucou.
Soldado Sampaio lembrou que está no Governo há pouco mais de 100 dias e já deu ordem de serviço para reformar e ampliar 25 escolas indígenas, nomeou 34 novos cargos de diretores e gestores das escolas e 40 cargos de coordenação pedagógica, além de assinar a progressão e a estabilidade de mais de 200 professores indígenas.
"O seu apoiador Denarium deixou 177 escolas indígenas sem nenhuma condição para os alunos estudarem", apontou Soldado Sampaio.
O governador disse, ainda, que como deputado estadual cobrou do ex-governador Antonio Denarium, por diversas vezes, sobre o abandono da educação em Roraima. Sampaio também disse que entrou com uma ação na Justiça para garantir o pagamento da GID aos professores indígenas de 30 e 40 horas, que agora já está sendo implementada em seu Governo.
"Em apenas 100 dias de Governo, já estou trabalhando pela educação de Roraima e pode ter certeza que vou reformar e construir novas escolas para que as nossas crianças e jovens indígenas tenham uma educação de qualidade", garantiu.
Arthur abandonou a educação de Boa Vista
Soldado Sampaio também questionou Arthur Henrique sobre o abandono da educação em Boa Vista, durante todo o período em que esteve à frente da prefeitura. Conforme Sampaio, quando Arthur recebeu a prefeitura das mãos de sua antecessora, Teresa Surita (MDB), Boa Vista ocupava a 5ª posição no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) entre as capitais e, quando saiu, em abril deste ano, era a 11ª.
"Quando você assumiu a gestão municipal, a nossa capital era a quinta colocada no IDEB e, durante sua gestão, a nossa capital caiu para a 11ª posição. Arthur, pare de tentar confundir o eleitor, escondendo a verdade e reclamando quando descumpre a lei. O seu apoiador Denarium é o único responsável pela situação lastimável da educação em Roraima", enfatizou.
Outras reclamações comuns da população de Boa Vista é quanto à destruição das obras deixadas por Teresa. Alguns exemplos são as paradas de ônibus que a ex-prefeita deixou climatizadas e hoje estão sem ar condicionado e depredadas por falta de manutenção, além do abandono das praças da cidade.
Repercussão nas redes sociais
Apesar de alguns comentários de apoio, a fala de Arthur Henrique repercutiu mal na rede social Instagram. Uma internauta questionou o candidato sobre o abandono das escolas durante a gestão de Denarium, apoiador de Arthur.
"E o antigo governo, que abandonou a educação com Mikael [Cury-Rad, ex-secretário estadual de Educação e Desporto]? Todas as escolas do interior e comunidades indígenas estão abandonadas há anos", apontou.
"Eu sou professora e eu sei muito bem quem deixou tudo isso. Isso não é de agora. Faz mais de 6 anos alunos estudando embaixo de árvores, em barracões", escreveu outra.
"Ué… mas o ex-governador estava ali do ladinho? Então, aproveita e pergunta pra ele também: em 7 anos e meio, o que foi feito de concreto pelas escolas indígenas? Porque cobrar é fácil, difícil é explicar o próprio histórico, né?", ironizou um terceiro.
"Pergunta pro @antoniodenariumrr. Ele foi governador por quase 8 anos", apontou outro internauta, dentre muitos outros comentários.
Controvérsias de quem descumpre leis
As falas de Arthur Henrique para tentar desviar o foco do crime eleitoral cometido por ele ao interromper o horário de aula (com os alunos presentes), para fazer discurso dentro de uma escola estadual indígena, são controversas.
Arthur Henrique é investigado pelo Ministério Público de Roraima (MPRR) pelo favorecimento, em 2023, quando era prefeito de Boa Vista, a uma empresa de Haroldo Cathedral (Novo), candidato a vice-governador em sua chapa nas eleições deste ano.
Segundo a Promotoria, Arthur executou uma desapropriação irregular de uma área em favor da empresa de Cathedral. O MPRR pede a anulação do negócio e a devolução de R$ 21,5 milhões pagos pelo imóvel. O montante daria para construir pelo menos 5 escolas com valor médio de R$ 3,75 milhões (e ainda sobrariam R$ 2,75 milhões), tomando por base a ordem de serviço assinada em fevereiro de 2025 pelo Governo do Estado, para a construção de duas unidades pequenas no Baixo Rio Branco, com 4 salas de aula e quadra cada uma.
Com as ordens de serviço assinadas na gestão Denarium, até agora as obras de construção das duas escolas ainda não tiveram início, mas constam entre as obras previstas no plano de governo do candidato Soldado Sampaio para 2027.
Outra controvérsia é o fato de Arthur Henrique estar pedindo voto em terra indígena, sendo ele do PL, partido da extrema direita comandada no Brasil por Jair Bolsonaro que, durante a campanha e seu governo (2019-2022), prometeu explicitamente que não demarcaria “nenhum centímetro a mais” de terra indígena e cumpriu: não houve homologações de novas terras.
Bolsonaro defendia a abertura de terras indígenas a atividades econômicas (mineração, garimpo, agropecuária), propôs projeto de lei para regulamentar a mineração em terras indígenas, elogiou o garimpo e fez discursos que líderes indígenas e organizações interpretaram como estímulo a invasões.
E para agravar ainda mais a situação, também estava presente durante o discurso na sala de aula da escola indígena o deputado federal Nicoletti (PL), que defende abertamente o garimpo em terra indígena.
Já o ex-governador Antonio Denarium sancionou, em fevereiro de 2021, a Lei nº 1.453 de 2021, que liberava a atividade de garimpo e o uso de mercúrio no estado, mas a norma foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Denarium também é acusado de ser contra os indígenas e de sua família ser dona de garimpo ilegal em terra indígena.
DA REDAÇÃO




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