Player
Tocando Agora
Carregando...
Web Rádio Opinativa

OPERAÇÃO CASTIGARE: Polícia Civil de Roraima prende sete investigados por homicídio ligado a “tribunal do crime” em Boa Vista

OPERAÇÃO CASTIGARE: Polícia Civil de Roraima prende sete investigados por homicídio ligado a “tribunal do crime” em Boa Vista

Operação cumpriu mandados em seis bairros e também resultou em prisões em flagrante e apreensão de drogas / Foto: Ascom/PCRR /

A PCRR (Polícia Civil de Roraima), por meio da DGH (Delegacia-Geral de Homicídios), prendeu sete pessoas investigadas pela morte de Cauã Vinícius Castro da Silva, de 21 anos, encontrado carbonizado em julho, em Boa Vista. A Operação Castigare foi deflagrada na quarta-feira (26), em seis bairros da capital, com apoio da guarda civil municipal, e cumpriu 11 mandados de prisão e 15 de busca e apreensão.

A ação foi concluída na madrugada desta quinta-feira (27). Além das prisões relacionadas ao homicídio, houve prisões em flagrante e apreensão de drogas e materiais utilizados no tráfico. Os detalhes da operação foram apresentados durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta quinta, na sede da Delegacia-Geral, em Boa Vista.

Participaram da coletiva a delegada-geral da PCRR, Simone Arruda; a diretora do DHPP (Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa), delegada Míriam Di Manso; e o delegado titular da DGH, João Evangelista, responsável pela investigação. Também participaram da operação os delegados Thiago Alexandre e Carlos Henrique.

Corpo carbonizado deu início à investigação

A investigação começou após a localização de um corpo carbonizado nas proximidades do “fossão”, no bairro São Bento, no dia 31 de julho. A equipe da DGH foi acionada e, a partir das primeiras diligências, confirmou que se tratava de Cauã Vinícius Castro da Silva.

Conforme a investigação, o crime teria sido motivado por uma disputa entre organizações criminosas. Cauã teria integrado anteriormente uma dessas organizações e, posteriormente, passado a auxiliar um grupo rival.

Ao longo da apuração, os policiais utilizaram cruzamento de informações, monitoramento, análise de imagens e pesquisa de dados para identificar os suspeitos e reconstruir parte da dinâmica do homicídio.

“A investigação começou a partir das primeiras informações que chegaram ao Plantão Central. A equipe passou a fazer o cruzamento de dados, monitoramento e análise de imagens. A partir desse trabalho, conseguimos identificar os envolvidos e chegar às medidas judiciais que foram cumpridas na operação”, explicou o delegado João Evangelista.

Segundo a Polícia Civil, a decisão pela morte da vítima teria sido tomada durante uma reunião entre integrantes de uma organização criminosa. Os investigadores identificaram que um dos encontros ocorreu na Praça Germano Sampaio, na zona Oeste de Boa Vista.

“Eles estavam reunidos e fizeram uma videochamada com integrantes da facção que estavam fora de Roraima. Foi nesse contexto que discutiram a situação da vítima e determinaram a sentença de morte”, detalhou o delegado.

Ainda conforme a investigação, após a decisão, Cauã teria sido sequestrado e levado para o bairro São Bento, onde foi executado. Depois, os envolvidos teriam ateado fogo ao corpo para tentar destruir vestígios.

Mandados foram cumpridos em seis bairros

As ordens judiciais foram cumpridas nos bairros Jardim Olímpico, Cruviana, Laura Moreira, São Bento, Cinturão Verde e Pintolândia.

Entre os presos estão três mulheres, identificadas pelas iniciais K.T.V., 35 anos; K.S.O., 29 anos; e P.C.S., 39 anos. Também foram presos quatro homens: C.B.M.S.M., 25 anos; J.H.S.A., 21 anos; J.H.A.N., 37 anos; e R.M.R.O., 29 anos.

Durante as buscas, C.B.M.S.M., de 25 anos, que já tinha mandado de prisão relacionado ao homicídio, também foi preso em flagrante por tráfico de drogas. Com ele, os policiais apreenderam uma balança de precisão e uma quantidade de maconha.

Um adolescente de 17 anos foi conduzido durante a operação. Com ele foram encontradas porções de maconha e duas balanças de precisão. Segundo a investigação, o imóvel onde o adolescente estava teria sido utilizado pela organização criminosa para realizar o julgamento que antecedeu a morte da vítima.

Também foram encontradas porções de maconha com K.S.O., de 29 anos, e P.C.S., de 39 anos. Para ambas, foi lavrado Termo Circunstanciado de Ocorrência por consumo pessoal de drogas.

Investigado também teria sido alvo de organização criminosa

Durante o cumprimento das ordens judiciais, os policiais identificaram uma situação envolvendo um dos investigados pela morte de Cauã.

De acordo com a investigação, além de ter um mandado de prisão relacionado ao homicídio, o homem estaria sendo procurado pela própria organização criminosa após fugir de outro “tribunal do crime”. Nesse episódio, ele seria o alvo de uma decisão de execução.

Para o delegado João Evangelista, o caso evidencia a dinâmica de violência existente dentro das organizações criminosas.

“É uma dinâmica de violência muito grande dentro dessas organizações. A mesma estrutura que determina a morte de uma pessoa também pode colocar outro integrante como alvo. Esse é um dos aspectos que conseguimos identificar durante a investigação”, ressaltou.

Polícia Civil aponta atuação contínua contra homicídios

Durante a coletiva, o titular da DGH também apresentou dados sobre o trabalho investigativo desenvolvido pela unidade. Segundo ele, a atuação envolve inteligência policial, monitoramento, análise de informações e integração entre as forças de segurança.

Conforme os dados apresentados, foram registrados 95 homicídios em 2024, 104 em 2025 e 63 em 2026, até o momento. Em relação ao cumprimento de medidas judiciais, foram 16 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão em 2024; 34 mandados de prisão e 74 de busca e apreensão em 2025; e, em 2026, até agosto, 34 mandados de prisão e 54 de busca e apreensão.

“Não se trata de uma ação isolada ou do resultado de um único trabalho. É uma atuação contínua, construída ao longo dos anos, com inteligência policial, investigação qualificada e integração entre as forças de segurança”, afirmou Evangelista.

O trabalho também conta com a participação da Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública), da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas) e dos Núcleos de Inteligência, ampliando o compartilhamento e a análise de informações.

Estrutura de investigação é reforçada

A delegada-geral Simone Arruda destacou as medidas adotadas para ampliar a capacidade de investigação da PCRR. “Estamos fortalecendo as equipes e dando melhores condições para que os policiais avancem nas investigações. O objetivo é dar resposta aos casos recentes e também concluir aqueles que ainda estão em andamento”, afirmou.

A diretora do DHPP, delegada Míriam Di Manso, ressaltou a qualificação dos policiais e o serviço extraordinário autorizado para ampliar a capacidade de investigação.

“Temos uma equipe qualificada e que vem buscando aprimorar cada vez mais o trabalho de investigação. O serviço extraordinário também permite avançar nas investigações mais antigas sem comprometer o atendimento dos casos recentes”, explicou.

Segundo a delegada, a integração entre os órgãos de segurança também é fundamental para o enfrentamento às organizações criminosas.

Procedimentos

Após as prisões, os sete investigados foram conduzidos à sede da DGH para os procedimentos legais, incluindo o cumprimento dos mandados e a lavratura do APF (Auto de Prisão em Flagrante) no caso relacionado ao tráfico de drogas.

Os presos passaram por exames no IML (Instituto de Medicina Legal) e foram apresentados à Audiência de Custódia.

As investigações continuam para o cumprimento das demais diligências e o esclarecimento completo das circunstâncias do homicídio.

Nome da operação

O nome “Castigare” faz referência ao contexto do crime investigado. Segundo a apuração policial, a vítima teria sido submetida a uma espécie de “tribunal do crime”, no qual integrantes de uma organização criminosa determinaram uma punição que resultou em sua morte.

O termo, associado à ideia de castigo, também faz referência à atuação dos órgãos de segurança e persecução penal. A responsabilização dos envolvidos, no entanto, depende do devido processo legal e da decisão da Justiça.

SANDRA LIMA

Comentários

Comentário enviado com sucesso!
Carregando comentários...
Na SofrênciaPauta do Dia