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Indígenas querem apoio do Senado para recuperar áreas destruídas pelo garimpo

Publicada em: 31/07/2026 13:49 -

Além dos Yanomami, integraram o grupo representantes dos povos Munduruku e Enawenê Nawê, este útimo, de recente contato com não-indígenas / Foto: Saulo Cruz/Ag. Senado /

"Meu nome é Genivaldo Krepuna Yanomami, sou estado de Roraima. Eu venho aqui, também, nesse Congresso Nacional, com o objetivo de ver como funcionam as leis que fazem parte das políticas públicas, né? Para ver, conhecer todas as realidades do sistema do Congresso Nacional."

O Genivaldo é um dos pesquisadores indígenas que visitaram o Senado nesta quinta-feira. Além dos Yanomami, integraram o grupo representantes dos povos Munduruku e Enawenê Nawê, este útimo, de recente contato com não-indígenas.

Os objetivos da visita foram conhecer mais o Senado e investir na incidência política em busca de apoio a projetos de recuperação ambiental em áreas destruídas pela mineração.

As lideranças também reivindicam a total desintrusão de seus terrítórios, recolhimento de maquinário e combustível deixado por garimpeiros; além da construção de poços artesianos para garantir água potável. 

O pesquisador Reginaldo Poxo Munduruku explicou que os indígenas precisam do Parlamento, inclusive no orçamento, para garantir recursos para ações socioambientais.

"A gente tem como objetivo restaurar 106 hectares dentro do nosso território. A nossa região foi degradada pelo garimpo ilegal, então, tudo isso impactou a nossa saúde - dos povos indígenas -, a vida da flora, como palmeiras, açaizeiros; contaminou, também, o nosso alimento, o peixe."

Em reunião com consultores do Senado na Comissão de Meio Ambiente, os pesquisadores indígenas conheceram mais sobre como funciona a Casa e sobre como participar ativamente do processo de feitura das leis.

Eles ficaram sabendo, por exemplo, da oficina legislativa oferecida pelo E-cidadania, portal por meio do qual é possível sugerir uma ideia que poderá virar um projeto de lei de verdade.

O secretário do colegiado, Airton Aragão Jr., explicou que essa ferramenta pode ser útil, por exemplo, nas escolas indígenas.

"Para aproximar, também, os jovens indígenas e as lideranças desse processo, dessa possibilidade de participação dentro e-cidadania, aqui no processo do Senado Federal."

A servidora da Funai, Cecília Woortmann, que acompanhou o grupo de pesquisadores indígenas no Senado, explicou que o Plano de Recuperação Ambiental no território Yanomami é feito em parceria com a Universidade de Brasília, UnB. Para ela, aumentar o diálogo dos indígenas com o Congresso é essencial para fortalecer este e outros projetos.

"Quanto mais essa aqui for, realmente, a Casa do Povo, mais os povos indígenas têm que estar aqui."

O garimpo em terras indígenas, atividade que é ilegal no Brasil, além de derrubar árvores, contamina o solo, os rios e os peixes com mercúrio, metal tóxico que mina a saúde de quem vive nesses territórios.

Pesquisa da Fiocruz, de 2024, mostrou que 94% dos Yanomami de nove aldeias invadidas por garimpos tinham alto nível de contaminação por mercúrio. Entre os Munduruku, um levantamento deste ano feito com gestantes mostra contaminação de 97% das mulheres.

FONTE: RÁDIO SENADO

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