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SEGURANÇA E ACESSIBILIDADE: Turistea capacita profissionais para atendimento inclusivo em destinos turísticos remotos

Publicada em: 09/07/2026 11:10 -

Ação na Serra do Tepequém prepara guias, condutores e proprietários de empreendimentos hoteleiros para acolher famílias atípicas / Foto: Nonato Sousa /

Profissionais do turismo que atuam na Serra do Tepequém, no município de Amajari, no norte de Roraima, participam, até esta quinta-feira (9), de uma capacitação sobre atendimento especializado a famílias atípicas promovida pelo projeto Turistea, iniciativa do Centro de Acolhimento ao Autista (Teamarr) da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR).

Nesta quarta-feira (8), os participantes tiveram uma aula prática sobre o aperfeiçoamento de técnicas de primeiros socorros em áreas remotas. A iniciativa reúne guias turísticos, condutores e proprietários de meios de hospedagem da região.

Luiz Sabanero é condutor na Serra do Tepequém há 10 anos. Ele ressalta que a região necessitava de uma capacitação voltada ao atendimento de famílias atípicas, para oferecer um serviço mais qualificado.

“É uma demanda crescente, e nós não tínhamos as ferramentas necessárias para atendê-la. Agora, conseguimos nos capacitar e aprender a lidar com pessoas com autismo, TDAH ou outras condições. Isso nos ajudou muito, porque é preciso ter sensibilidade na forma de se comunicar e conhecer os aspectos sensoriais, auditivos, entre outras características”, pontuou.

Para ele, o maior desafio do turismo, especialmente o inclusivo, está nas diferenças geográficas entre o interior, formado em grande parte por serras, e a capital, onde o relevo é predominantemente plano.

“É de extrema importância termos profissionais capacitados para o turismo inclusivo. Nossa serra tem um bioma completamente diferente do lavrado. Aqui, há muitas cachoeiras e áreas elevadas que exigem cuidado e atenção, principalmente no atendimento a famílias atípicas. É essencial adquirir conhecimento e se especializar para prestar um serviço de qualidade”, explicou.

Laiane Cardoso é instrutora de esportes em um hotel de Tepequém há três anos e mãe de uma menina com TEA. Segundo ela, a capacitação vai ajudá-la na rotina diária com a filha e a compreender melhor como lidar com o atendimento e as atividades que desenvolve no local de trabalho.

“Esse curso vai impactar e influenciar diretamente o meu trabalho, na forma como vou saber lidar com esse público e desenvolver determinadas atividades. Algumas habilidades que foram ensinadas vou poder adaptar para atuar com eles”, comentou.

Melhorias profissionais

De acordo com Jane Lira, coordenadora do Turistea, o curso foi planejado ainda no ano passado e busca preparar profissionais para oferecer um atendimento mais inclusivo aos turistas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

“A capacitação aborda temas como o que é o autismo, os níveis de suporte, questões de mobilidade voltadas à realidade da região, conhecida por suas trilhas e cachoeiras, além de aspectos sensoriais e seletividade alimentar. São quatro dias de capacitação, com aulas teóricas e práticas. Os participantes ainda irão à mata para aprender como proceder caso ocorra algum acidente, até a chegada do socorro”, detalhou.

Ainda conforme Jane Lira, levar o curso ao Tepequém facilita o acesso dos profissionais locais à qualificação, já que o deslocamento até Boa Vista representa um desafio logístico e financeiro.

"É complicado esses profissionais se deslocarem até Boa Vista para fazer uma capacitação, porque são vários dias. Então, nada melhor do que capacitá-los in loco. O Tepequém é um dos pontos turísticos mais movimentados de Roraima. Além dos roraimenses, vêm pessoas de fora, também”, afirmou.

O instrutor de primeiros socorros, Igor Tavares, explicou que o treinamento tem como foco preparar guias, condutores e demais trabalhadores do setor para agir com segurança em situações de urgência, especialmente, em locais de difícil acesso, como trilhas e cachoeiras.

Entre os conteúdos repassados estão: técnicas de curativos, controle de hemorragias, imobilização de possíveis fraturas, manejo adequado da vítima e formas seguras de transporte durante o primeiro atendimento. O objetivo é garantir uma resposta rápida e eficiente enquanto o Corpo de Bombeiros ou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) são acionados.

"O guia é a primeira pessoa que está ao lado do turista quando ocorre um acidente. Então, enquanto não chega o socorro, os próprios guias podem dar esse suporte. Quando a gente atua com pessoas autistas, por exemplo, ou que demandem outra necessidade, precisamos ter um olhar diferenciado, que será de acordo com a sua condição", destacou o instrutor.

SUZANNE OLIVEIRA

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