Suspeito praticava o esquema ilegal há mais de seis meses, com mais de 30 vítimas / Foto: Ascom/Sesp /
O Governo do Estado, por meio da Sesp (Secretaria de Segurança Pública), realizou nessa segunda-feira (1º) uma operação para deter um servidor do HGR (Hospital Geral de Roraima Rubens de Souza Bento).
Um técnico de radiologia e outros dois intermediários vendiam exames de ressonância magnética por R$ 600 a pacientes que procuravam atendimento gratuito, ofertado no SUS (Sistema Único de Saúde).
A secretária adjunta da Sesau (Secretaria de Saúde), Juliana Gomes, informou que tomou conhecimento dos fatos e buscou apoio imediato para a realização do flagrante e identificação dos envolvidos.
Ela relatou que, por volta das 18h, uma paciente chegou ao HGR para realizar exame e foi recebida por um intermediário, que apenas recebeu o dinheiro e a orientou a entrar, onde seria atendida pelo técnico, o que de fato ocorreu.
“Ele a buscou, levou para fazer o exame e a paciente só foi liberada após a confirmação do PIX. Prontamente, acionei a doutora Eliane [Gonçalves, secretária da Segurança Pública], para que realizasse o flagrante, e assim foi feito”, explicou.
A secretária de Segurança Pública, Eliane Gonçalves, disse que após receber a ligação da secretária adjunta da Sesau, que também enviou dois vídeos do servidor conversando com alguns pacientes que estavam na recepção, iniciou as diligências.
Eliane ressaltou, ainda, que, quando o suspeito foi abordado, confessou o crime espontaneamente. Os agentes da Sesp solicitaram que ele ligasse para um dos comparsas que, visivelmente desconfiado, passou a enviar mensagens com visualização única.
As diligências para localizar o casal envolvido foram iniciadas, mas sem êxito. Os endereços foram identificados e a prisão preventiva dos suspeitos foi solicitada. Eliane reforçou que todas as precauções foram tomadas dentro da unidade para não comprometer o atendimento aos pacientes.
“Utilizei uma vestimenta como se eu fosse uma médica para ter acesso a ele sem despertar curiosidade ou alertar o acusado. Os três agentes que me acompanhavam também estavam vestidos à paisana. Nós só o retiramos do local depois de falar com a chefe dele por telefone e aguardar a chegada de um servidor para substituí-lo no guichê dos exames, para que ninguém fosse prejudicado.”
A secretária acrescenta que a operação foi realizada de forma discreta e sem causar alarde, destacando que o suspeito foi conduzido sem que ninguém percebesse que se tratava de uma prisão. “O homem nos acompanhou de forma tranquila e pacífica, sem causar qualquer transtorno aos pacientes que estavam no local”, esclareceu.
Gestão vai reforçar combate a possíveis práticas criminosas em unidades de Saúde
A secretária adjunta da Sesau, Juliana Gomes, reiterou que esse tipo de ocorrência é inadmissível e precisa ser combatida com rigor nas unidades de saúde estaduais.
“A gestão estadual irá fazer uma busca para identificar e coibir possíveis práticas criminosas que estejam sendo realizadas nas unidades de Saúde do Estado”, adiantou.
Segundo ela, nenhum serviço do SUS é vendido. “Ainda mais dentro de uma unidade hospitalar de alta complexidade, como o HGR, onde a maioria dos pacientes que realiza ressonância magnética é composta por pessoas que sofreram AVC ou por pacientes oncológicos, que acabam tendo atraso em seus tratamentos por causa dessas interferências”, complementou.
JÚLIA ROCHA

