Ação resultou na prisão de quatro suspeitos e apreensão cerca de 40 kg de drogas, armas e veículos usados no tráfico / Foto: Ascom/PCRR /
Uma investigação conduzida pela PCRR (Polícia Civil de Roraima), por meio da DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes) e DENARC (Departamento de Narcóticos) com apoio estratégico do NI (Núcleo de Inteligência) e atuação integrada com a PRF (Polícia Rodoviária Federal), resultou na desarticulação de uma organização criminosa estruturada para o tráfico interestadual de drogas.
A operação foi deflagrada nesta quarta-feira, dia 8, em três bairros de Boa Vista, e culminou na prisão de quatro suspeitos, além da apreensão de aproximadamente 40 quilos de entorpecentes, armas de fogo, munições e veículos utilizados no esquema criminoso.
De acordo com o delegado titular da DRE, Júlio César da Rocha, responsável pela investigação, o prejuízo estimado ao crime organizado é de cerca de R$ 750 mil, podendo ultrapassar R$ 4 milhões se considerado o valor da droga no comércio varejista.
Segundo o delegado, o trabalho teve como base levantamentos qualificados de inteligência que permitiram identificar uma rota ativa de abastecimento do tráfico de drogas em Roraima.
De acordo com ele, as investigações revelaram um grupo com atuação estruturada, com divisão de tarefas bem definida e logística organizada, operando no transporte de drogas oriundas de Manaus com destino a Boa Vista e possível distribuição até Pacaraima.
A apuração identificou que o grupo realizava viagens entre os estados, utilizando um veículo adaptado com compartimentos ocultos para dificultar a fiscalização.
Ainda conforme o delegado, o Núcleo de Inteligência teve papel fundamental na identificação da dinâmica do grupo, permitindo mapear o transporte interestadual.
No dia da operação, as equipes passaram a monitorar o deslocamento do veículo suspeito, um ônix, sendo montado um cerco estratégico na entrada de Boa Vista.
Durante o acompanhamento, o condutor adotou comportamento típico de contra vigilância, circulando por diferentes vias da cidade antes de se dirigir a imóveis previamente monitorados.
Abordagem e prisão do grupo criminoso
A primeira abordagem ocorreu no bairro Jardim Tropical, onde foram presos A.G.B.B., de 29 anos, e J.F.D.V.M., de 36 anos.
As investigações apontam que A.G.B.B. atuava como responsável pelo armazenamento, fracionamento e preparo da droga, enquanto J.F.D.V.M. exercia a função de distribuidor, realizando entregas por meio de motocicleta, abastecendo o tráfico local.
No imóvel, foram apreendidos tabletes de skunk, cocaína e pasta base, totalizando aproximadamente 6 quilos de drogas, além de balanças de precisão, materiais utilizados na manipulação dos entorpecentes, além de duas motocicletas.
As diligências tiveram continuidade até um segundo endereço, no bairro Centenário, onde foram presos o motorista do ônix, F.E.A.C., de 36 anos, e J.D.R.R., de 42 anos.
Conforme a investigação, F.E.A.C. exercia papel central na organização, sendo o responsável pelo transporte interestadual da droga, utilizando veículo adaptado para ocultação do entorpecente.
Já J.D.R.R. atuava como “batedor”, realizando a escolta do carregamento ilícito, com a função de alertar sobre fiscalizações, garantindo maior segurança à operação criminosa.
No local os policiais apreenderam três carros e uma motocicleta, além de telefones celulares.
A partir daí, segundo o delegado, os policiais realizaram uma terceira diligência, no bairro Olímpico, em um imóvel utilizado pelo grupo criminoso para armazenar entorpecentes, conhecido como “mocó”. No local, foram apreendidos o restante da droga, além de armas e munições.
A atuação coordenada, segundo o delegado, revelou uma estrutura criminosa organizada, com divisão de funções entre transporte, apoio logístico, armazenamento e distribuição.
Ainda segundo o delegado, ao final da operação, foram apreendidos cerca de 40 quilos de drogas, três armas de fogo, sendo pistolas de calibres 9mm, .45 e .380, carregadores, inclusive de alta capacidade, um seletor de rajada e centenas de munições de diversos calibres, como 9mm, .40, .45 e de 38.
Também foram apreendidos seis veículos utilizados no esquema criminoso, sendo um Onix e dois Cronos, um deles empregado como “batedor”, além de três motocicletas usadas no apoio logístico e na distribuição dos entorpecentes.
As investigações apontam que os envolvidos são todos de nacionalidade venezuelana e atuavam diretamente no abastecimento do tráfico em bairros da zona oeste de Boa Vista.
Os quatro suspeitos foram autuados em flagrante pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e posse ilegal de arma de fogo de uso permitido e restrito.
Nesta quinta-feira, dia 9, os presos foram apresentados em Audiência de Custódia.
“A operação representa um duro golpe contra o crime organizado em Roraima, interrompendo uma rota ativa de abastecimento de drogas e enfraquecendo a atuação do grupo no Estado. Essa investigação segue em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e ramificações da organização criminosa”, destacou o delegado.
OPERAÇÃO VETOR 174
O nome da operação, Vetor 174, é uma referência à principal rota utilizada pelo grupo criminoso: a BR-174, eixo estratégico entre Manaus e Boa Vista. O termo “vetor” representa o fluxo contínuo e direcionado do tráfico, revelando uma logística estruturada e repetitiva de abastecimento de drogas no Estado.
DA REDAÇÃO

