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VIOLÊNCIA DENTRO DE CASA: Dependência financeira ainda dificulta rompimento do ciclo de violência

Publicada em: 10/03/2026 09:57 -

Defensora pública Terezinha Muniz aponta que muitas vítimas permanecem com o agressor por falta de renda própria / Foto: Ascom/DPE-RR /

A dependência financeira ainda é um dos principais fatores que dificultam o rompimento de relações marcadas pela violência doméstica. A avaliação é da Defensoria Pública do Estado de Roraima (DPE-RR), por meio da Especializada de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher, que acompanha casos de violência na capital.

Dados da 5ª edição da pesquisa “Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil” (2025) mostram que a violência contra mulheres também ocorre dentro do próprio ambiente familiar. Além de parceiros, familiares como pais, padrastos e até filhos aparecem entre os autores das agressões. Estudos indicam ainda que, com o avanço da idade, aumenta a probabilidade de mulheres sofrerem violência praticada pelos próprios filhos.

A pesquisa também aponta que a casa continua sendo o local mais citado para essas ocorrências, concentrando cerca de 57% dos casos. O dado reforça a vulnerabilidade de muitas mulheres, especialmente as idosas, que enfrentam dependência emocional, financeira e isolamento social.

Nesse contexto, a Defensoria observa que a dependência financeira funciona como uma das principais barreiras para que a vítima consiga romper definitivamente com o agressor.

Segundo a defensora pública Terezinha Muniz, titular da 1ª Defensoria Especializada de Defesa dos Direitos da Mulher, a falta de autonomia financeira faz com que muitas mulheres hesitem em denunciar ou até retornem ao convívio com o agressor. Sem renda própria, muitas acabam permanecendo na relação por se sentirem responsáveis por garantir o sustento dos filhos e da casa.

Para enfrentar essa realidade, a Defensoria tem buscado garantir proteção e segurança econômica já no início do processo. Nos pedidos de Medida Protetiva de Urgência, também podem ser solicitados alimentos provisórios, permitindo que a pensão seja definida rapidamente pela Justiça.

“A medida garante condições mínimas para que a vítima consiga se afastar do agressor e reorganizar a própria vida”, ressaltou a defensora.

Além da atuação judicial, a Defensoria também orienta as mulheres sobre os diferentes tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha. Nem sempre a violência aparece apenas em forma de agressão física, mas pode fazer parte de um ciclo mais amplo de abusos.

Entre as formas de violência estão a psicológica, como ameaças e perseguições; a moral, que envolve calúnia e humilhações; a patrimonial, quando bens ou documentos são retirados da vítima; e a violência sexual.

Para a defensora, reconhecer essas situações é um passo importante para interromper o ciclo de violência.

“Eu não vejo o 8 de março como um dia de celebração. É um dia de luta. O feminicídio no Brasil ainda é uma realidade preocupante, e precisamos continuar atentos para que as políticas públicas cheguem às mulheres que precisam de proteção”, afirmou.

SERVIÇO

Em Boa Vista, meninas e mulheres em situação de violência podem buscar atendimento gratuito na Defensoria Especializada de Defesa dos Direitos da Mulher, localizada na Casa da Mulher Brasileira, na rua Uraricoera, 919, bairro São Vicente. O atendimento também pode ser solicitado pelo WhatsApp (95) 2121-0264.

DA REDAÇÃO


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