Rafaela André reconhece que houve conquistas ao longo das últimas décadas, porém, ainda são poucas, diante de uma raça que representa 56% da população brasileira / Foto: Arquivo pessoal /
Mulher preta, jornalista e quilombola, Rafaela de Oliveira André, Rafaela André, de 28 anos, é um exemplo de luta e resistência racial em Roraima. Coordenadora Estadual de Igualdade Racial em Roraima desde 2023, Rafaela vê o 20 de novembro (Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra) como uma data para que a sociedade como um todo se mobilize e reflita sobre as desigualdades, as disparidades, o preconceito e a discriminação que a população negra ainda vivencia nos dias atuais.
Rafaela André lembra que a discriminação racial vem desde o Brasil colonial, com a chegada dos negros trazidos da África. Ela enfatiza que a abolição da escravatura não garantiu os direitos mínimos de subsistência da população negra, que até hoje tem que lidar com as problemáticas sociais e econômicas.
Houve avanços, porém, ainda são poucos
A ativista reconhece que houve avanços ao longo dos anos, mas ressalta que ainda são poucos, diante de uma população que a maioria da população brasileira.
"Nós tivemos muitos avanços ao longo dos anos, como o número de estudantes pretos que, através do sistema de cotas raciais, conseguiram chegar ao ensino público superior, como também a ocupação de pretos em alguns cargos de poder. Mas se a gente for equiparar esses avanços como educação, como questão de emprego, trabalho e renda, o índice ainda é muito baixo para uma população que representa mais de 56% da população brasileira", afirma.
De acordo com Rafaela André, a população negra pode ter avançado 10 passos, mas ainda existe um passado histórico que sempre a coloca em segundo plano: falta muito para que o Brasil se torne um país igualitário e de enfrentamento para que, de fato, enfrente o racismo como uma pauta principal.
"Nós temos a ideia da falsa democracia racial, de que por sermos um país plural não existe racismo aqui no Brasil, mas eu posso afirmar, como mulher preta que trabalha essa pauta, que o racismo existe sim, às vezes ele ocorre de forma velada, mas que ainda impacta pessoas no nosso país", pondera.
Rafaela aproveita para deixar uma mensagem para todas as pessoas pretas. "Assim como eu ao longo da minha vida não deixei a minha cor impactar aonde eu queria chegar, ou o que eu queria ser, ou o que eu queria conquistar, que elas também não deixem que a cor seja um parâmetro para tudo o que elas quiserem ser, fazer, aonde quiserem estar ao longo de suas vidas", enfatiza.
No dia 29 de abril deste ano, Rafaela André se tornou a primeira quilombola a se formar pela Universidade Federal de Roraima (UFRR). Ela é descendente do Quilombo da Tapera, localizado em Petrópolis, no Rio de Janeiro.
WIRISMAR RAMOS - da Redação (e-mail: opinativa.net@gmail.com)

