Roraima é um dos estados que mais recebe venezuelanos e, portanto, é o que mais merece apoio, diz analista político

Para Oliver Stuenkel, da FGV, é necessário que haja políticas públicas para garantir integração e acolhimento dessa população vulnerável / Foto: Marley Lima /

O mundo vivenciará nesse momento de pós-pandemia uma onda de deslocamento humano em busca de oportunidades, como trabalho e educação. A afirmação é de Oliver Stuenkel, analista político e professor de Relações Institucionais da Fundação Getúlio Vargas, e foi feita durante palestra sobre imigração na 25ª Conferência Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale), nesta quinta-feira (10). O evento se encerra nesta sexta (11) no Recife, Pernambuco.
 
Ele destacou que o Brasil é o país menos afetado pela imigração no mundo. No entanto, algumas unidades da federação sentem o impacto muito maior desses deslocamentos.

“Roraima é um dos que mais recebe imigrantes venezuelanos e, portanto, é o que mais merece apoio dos outros estados”, disse. Segundo o especialista, é necessário que haja políticas públicas para garantir que ocorra uma integração e acolhimento dessa população vulnerável.
 
Uma das ações que contribuem para a inserção no mercado de trabalho é a regularização dos refugiados e imigrantes no país, que poderão validar os diplomas e emitir documentos necessários para ter acesso a serviços públicos.
 
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Soldado Sampaio (Republicanos), acompanhou o debate que também abordou a questão da imigração nos Estados Unidos apresentada pela deputada Sonya Harper, do estado de Illinois. Para ele, Roraima já desenvolve um trabalho que tem garantido aos imigrantes atendimentos nas áreas de saúde e educação.
 
“Mesmo diante de muitos desafios, Roraima tem acolhido os imigrantes com oferta de vagas nas escolas públicas estaduais, atendimento nas unidades de saúde e atuado em parceria com outras instituições para inseri-los no mercado de trabalho. Mas somos um estado muito pequeno e precisamos do apoio do Governo Federal e de outros estados para que recebam parte dessa população que precisa de oportunidades”, disse.
 
Renan (Solidariedade) sempre usou a tribuna da Assembleia Legislativa de Roraima para cobrar das autoridades uma solução para a imigração no Estado. O parlamentar lamentou a falta de espaço no debate para que os deputados pudessem expor a realidade de Roraima durante a palestra.
 
“Ter o conhecimento técnico é bem diferente de quem tem o conhecimento prático. Ficamos tristes por não podermos discutir isso com quem está passando na pele esse problema, que não é só de Roraima, da fronteira em Pacaraima. E esperamos que com essa união entre Parlamento Amazônico, Unale e a nossa Assembleia Legislativa, possamos resolver isso e dar uma qualidade de vida melhor para o roraimense”, afirmou.
 
O deputado sugeriu que ações apresentadas pela palestrante Sonya Harper possam ser aplicadas no Brasil. “Pegar o imigrante e interiorizar ele por estados. Ou seja, distribuir de forma legal para as unidades federativas que menos receberam esse público”, destacou.
 
A deputada Tayla Peres (Republicanos) comentou também a necessidade de interiorização dos imigrantes. “A imigração é algo que a gente vivencia no nosso Estado todos os dias. Precisamos desenvolver políticas públicas que possam ajudar Roraima a interiorizar os venezuelanos para outros estados”, disse.
 
Os deputados Coronel Chagas (PRTB), Lenir Rodrigues (Cidadania), Gabriel Picanço (Republicanos) e Catarina Guerra (União) acompanharam as discussões do painel.

DA REDAÇÃO
Categoria:Política

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